O luto animal: um tema que ainda não falamos o suficiente!

Sei bem o que é perder um animal. Este ano despedi-me de uma das minhas gatinhas (e ainda estou a sofrer com isso) e agora descobrimos que outra tem um cancro de mama. É uma notícia que dói ouvir, mas que também vem acompanhada de esperança, porque sabemos que será possível operá-la.

Quando fui levá-la ao veterinário, estava um casal com um cãozinho ao colo. Não sei o que ele tinha, mas percebi pela expressão do casal que estavam a sofrer. E pensei: fala-se tão pouco sobre o sofrimento que sentimos quando um animal de estimação está doente ou parte.

Antes mais quero que saibam que esse sofrimento pode ser tão intenso (ou até superior) como quando temos alguém próximo doente. Quem ama verdadeiramente os seus animais sabe: eles são parte da família. E, tal como acontece com qualquer membro da família, rimos com eles, criamos memórias juntos, mas também sofremos profundamente quando estão doentes ou partem.

Nem todas as pessoas vivem este processo, mas isso não invalida a intensidade com que tantas outras o sentem. Tudo depende da relação que construímos com os nossos animais, do amor que lhes dedicamos e das memórias que partilhamos – tal como acontece com os humanos.

E por isso, ninguém deveria ter de ouvir frases como: “é só um animal” ou “podes arranjar outro”.
Luto é luto! E não deve ser desvalorizado só porque se trata de um animal.

Mas para os mais incrédulos a ciência confirma: o processo de luto por um animal pode envolver tristeza, ansiedade, angústia, insónia, perda de apetite e até ter impacto na saúde física – tal como acontece quando perdemos alguém humano. E quando um animal fica doente, é comum também vivermos o luto antecipado, marcado por preocupação constante, medo, impotência e dor antes mesmo da partida.

Este processo pode durar dias, semanas, meses ou mais: não há tempo certo. E, em alguns casos, pode ser acompanhado pelo luto antecipado, isto é, quando já se sabe que o animal está doente e sentimos a dor da perda antes de ela acontecer.

Entre os sintomas mais comuns do luto animal estão:

  • Tristeza profunda e choro frequente
  • Sensação de vazio e solidão em casa
  • Alterações no apetite ou no sono
  • Perda de motivação para atividades do dia-a-dia
  • Dificuldade em olhar ou arrumar objetos do animal
  • Lembranças ou imagens recorrentes do momento da perda
  • Culpa ou questionamentos (“Será que podia ter feito mais?”)
  • Evitar lugares ou rotinas que faziam juntos

 

Para terminar, deixo-te algumas estratégias para lidar com o luto animal. Sei que, por vezes, nada parece amenizar a dor – apenas o tempo consegue acalmar o coração – mas estas ações podem ajudar-te a atravessar este momento:

  • Permite-te sentir: é normal doer e, por mais difícil que seja, essa dor também faz parte do processo.
  • Partilha a tua história: falar sobre o teu animal e relembrar momentos felizes ajuda a integrar a perda.
  • Cria um ritual de despedida: acende uma vela, escreve uma carta ou cria um álbum de memórias.
  • Cuida de ti: mantém a tua rotina de sono, alimentação e procura incluir pequenas atividades que te façam sentir bem.
  • Procura apoio: de amigos que compreendam, grupos de apoio ou acompanhamento psicológico especializado, se precisares.
  • Honra a memória: apoia associações, adota outro animal (quando e se te sentires pronto) ou dedicar tempo a causas de proteção animal.

 

Se estás a passar por isto agora, lembra-te: o teu sofrimento é legítimo, real e merece todo o respeito. E mesmo que a sua ausência doa, esse amor e as memórias nunca desaparecerão. Gosto muito de dizer que “os animais entram nas nossas vidas e deixam pegadas no nosso coração” 🐾. Essas pegadas ficam para sempre, mesmo que já não os possamos abraçar.

Com carinho, Pedro